
Os ruídos sobre um suposto racha interno na Câmara Municipal de Sorriso e um possível boicote à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a concessionária Águas de Sorriso foram rebatidos de forma contundente. O presidente do Legislativo, vereador Rodrigo Materazzi, veio a público esclarecer que não há qualquer embate pessoal ou político travando os trabalhos. Segundo ele, a exigência de seguir rigorosamente o regimento interno é uma medida de segurança jurídica para garantir que as investigações não sejam anuladas no futuro.
A polêmica ganhou força nas últimas semanas após a comissão esbarrar em restrições para a contratação de uma equipe técnica independente como engenheiros e sanitaristas, visando auditar o serviço da concessionária. Materazzi explicou que o processo já andou: a CPI definiu os pontos exatos que deseja investigar e a documentação foi encaminhada à procuradoria jurídica da Casa para dar celeridade ao trâmite.
"Eu nunca quis barrar, vou deixar bem claro isso aqui, eu nunca quis racha entre os vereadores, muito pelo contrário. Existe um trâmite legal e regimental que eu tenho que seguir e ele está sendo seguido. A CPI está caminhando. Nós só nos preocupamos com o que diz a lei para que não seja feito nada fora do local e depois esse processo perca sua validade ou não dê resultado nenhum", garantiu o presidente da Câmara, Rodrigo Materazzi, afastando os rumores de atrito com os membros da comissão.
O impasse central sobre a liberação de recursos para contratar profissionais especializados esbarra na legalidade. O presidente foi taxativo ao afirmar que a Câmara pagará apenas pelos serviços que tem competência constitucional e regimental para contratar, evitando manobras que possam caracterizar improbidade administrativa para a mesa diretora.
"Existem profissionais que a Câmara pode legalmente contratar e tem profissionais que não competem à Casa. Aquilo que for da nossa competência, estamos à disposição e vamos contratar porque queremos esclarecer. Agora, aqueles que a lei não permite, infelizmente eu não quero responder por isso, não quero ferir o regimento interno", explicou Materazzi, detalhando a cautela administrativa exigida pelo cargo.
Longe de blindar a concessionária, o presidente fez questão de ressaltar que também é vítima do serviço prestado na cidade. Relatou episódios recentes em que a sua fatura mensal saltou inexplicavelmente de R$ 130 para R$ 450, além de enfrentar problemas crônicos de extravasamento de esgoto na sua própria rua.
Apesar das divergências burocráticas, a cúpula do Legislativo assegura que o objetivo final é unânime entre todos os parlamentares. A CPI atua de forma independente e tem o respaldo institucional para cobrar a empresa privada.
"A comissão trabalha de maneira independente e o presidente não pode ter qualquer interferência, mas é um consenso de todos nós que precisamos de respostas. A população quer água limpa em casa, quer que o esgoto funcione e nós vamos estar apoiando no que for preciso dentro dos trâmites legais", finalizou o chefe do Legislativo, cobrando resultados efetivos para a sociedade de Sorriso.
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