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Pesquisadores da Fundação Rio Verde transformam conhecimento em conexão direta com o campo
Evento realizado nesta quinta-feira (21) reforçou o papel da pesquisa na construção de uma agricultura mais eficiente, sustentável e alinhada às necessidades dos produtores rurais
21/05/2026 17h48
Por: Redação Fonte: Verbo Press

A sede da Fundação Rio Verde se transformou, nesta quinta-feira (21), em um grande ambiente de troca de conhecimento entre pesquisadores, produtores rurais, técnicos agrícolas e profissionais do agro. Durante todo o dia, os especialistas da instituição se revezaram no palco do evento Conexão, compartilhando resultados de pesquisas desenvolvidas ao longo das últimas safras sobre a cultura da soja, principal motor da economia agrícola mato-grossense e brasileira.

Mais do que apresentar dados técnicos, o encontro mostrou a preocupação da Fundação Rio Verde em aproximar a pesquisa científica da realidade do campo, tornando as informações acessíveis e aplicáveis dentro das propriedades rurais.

A programação reuniu painéis sobre estabelecimento inicial da cultura da soja, sistemas de adubação, manejo de pragas, doenças e estratégias de produção. Participaram das apresentações os pesquisadores Maria Luiza, Maira Fontanela, Luana Belufi, Rodrigo Pengo e Jéssica Gorri. A apresentação e condução dos trabalhos ficaram sob responsabilidade do Diretor de Pesquisa, Fábio Pittelkow.

Pesquisa com foco em quem está no campo
A pesquisadora Luana Belufi destacou que o principal objetivo do Conexão foi transformar os resultados gerados ao longo do ano em informações diretas para o produtor rural.

Segundo ela, a missão dos pesquisadores é fazer com que os dados produzidos dentro da Fundação tenham utilidade prática na condução das lavouras.

“A proposta do Conexão foi juntar nossa pesquisa, o que conduzimos o ano todo, e transformar esse resultado em comunicação direta com o produtor. Tudo o que a gente faz tem esse objetivo: fazer a informação chegar ao campo e ajudar o produtor nas escolhas dentro da propriedade”, afirmou.

Luana, que atua na área de fitopatologia, explicou ainda que os desafios sanitários da soja exigem uma visão integrada entre diferentes áreas da pesquisa.

“Existe uma interligação entre doenças, pragas, adubação e manejo. São várias peças do quebra-cabeça que precisam funcionar juntas para que o produtor tenha eficiência e consiga reduzir perdas na lavoura”, ressaltou.

Informações claras e aplicáveis
Para a pesquisadora Jéssica Gorri, o contato direto com os produtores durante o evento representou uma oportunidade de mostrar o resultado de meses de trabalho realizados no campo e nos laboratórios da instituição.

Ela destacou que grande parte das pesquisas nasce justamente das dúvidas e dificuldades enfrentadas pelos produtores no dia a dia.

“É uma oportunidade ímpar para nós. Conseguimos mostrar tudo aquilo que fizemos durante as safras e transformar isso em uma informação próxima do produtor, de forma clara, objetiva e imparcial”, comentou.

Segundo Jéssica, um dos desafios dos pesquisadores é traduzir conteúdos altamente técnicos para uma linguagem acessível, sem perder a qualidade da informação.

“A meta é levar a informação com leveza e clareza, para que ela realmente faça sentido dentro da propriedade rural”, acrescentou.

Conexão entre pesquisa e manejo no campo
A pesquisadora Maira Fontanela, que abordou o manejo de nematoides dentro do painel sobre estabelecimento da cultura da soja, destacou a importância da interação com os produtores após as palestras.

Segundo ela, o evento foi pensado justamente para aproximar os resultados das pesquisas de quem precisa dessas informações no campo.

“Nada adianta desenvolver pesquisas internas se essas informações não chegam à ponta. O produtor precisa desses dados para fazer um manejo mais assertivo e ter eficiência no controle”, afirmou.

Maira ressaltou ainda que o controle de nematoides exige planejamento antecipado e decisões estratégicas ainda antes da implantação da lavoura.

Manejo, solo e produtividade
No painel sobre sistemas de adubação e manejo, o pesquisador Rodrigo Pengo apresentou resultados de estudos de longa duração conduzidos pela Fundação Rio Verde, incluindo ensaios com cultivares em diferentes épocas de semeadura.

Ele também destacou pesquisas relacionadas à nutrição de plantas, posicionamento de fósforo e potássio e utilização de plantas de cobertura como estratégias para incremento da produtividade da soja.

“Mostramos resultados que ajudam diretamente o produtor no planejamento da safra e do manejo. Hoje a pesquisa precisa entregar informações práticas e alinhadas à realidade da nossa região”, explicou.

Rodrigo ressaltou ainda a importância de reunir produtores e técnicos dentro da Fundação para fortalecer o intercâmbio de experiências.

“É uma honra representar a Fundação Rio Verde e compartilhar um pouco dos resultados gerados aqui dentro com quem está diariamente no campo”, afirmou.

Sementes e qualidade desde o início da lavoura
Durante o painel sobre estabelecimento inicial da cultura da soja, a pesquisadora Maria Luiza apresentou orientações sobre análise de sementes, interpretação de resultados laboratoriais e armazenamento adequado.

Ela explicou que lotes da mesma variedade podem apresentar diferenças significativas de qualidade, exigindo atenção dos produtores no momento da escolha e do manejo.

“Se tivermos um bom plano de ação, conseguimos posicionar melhor cada lote e minimizar perdas. Cada safra é diferente e exige cuidados específicos”, pontuou.

Maria Luiza também reforçou que a Fundação Rio Verde permanece à disposição dos produtores para esclarecimento de dúvidas e acesso aos dados gerados pelos laboratórios da instituição.

Agricultura forte passa pela pesquisa
O diretor de pesquisa da Fundação Rio Verde, Fábio Pittelkow, destacou que o Conexão foi criado justamente para fortalecer essa aproximação entre pesquisa e produtor rural.

Segundo ele, o objetivo é entender as demandas do campo e direcionar os trabalhos científicos para soluções que tragam retorno econômico e técnico ao produtor.

“O maior desafio hoje é conciliar custo de produção, preço das commodities e rentabilidade. E toda essa parte técnica, como manejo, posicionamento de produtos, cultivares, pragas e doenças, ajuda o produtor a ser mais assertivo”, afirmou.

Pittelkow também ressaltou que o crescimento da produção agrícola brasileira e os recordes nas exportações de grãos estão diretamente ligados ao avanço da pesquisa e ao acesso à informação técnica de qualidade.

“Produzir soja exige estratégia. A pesquisa ajuda o produtor a manter produtividade, potencial produtivo e sustentabilidade econômica. É isso que mantém Mato Grosso como referência mundial no agro”, concluiu.