A delegada responsável pelo Núcleo de Atendimento à Mulher e Vulneráveis de Sorriso, Layssa Crisóstomo, trouxe novas informações sobre o caso de tentativa de feminicídio registrado na madrugada da última segunda-feira (19), no bairro Village. Um homem ateou fogo em um apartamento de um condomínio localizado na Avenida Brescansin, colocando em risco diversos moradores.
O empresário Carlos Alberto da Costa Gomes, de 61 anos, foi preso poucas horas após o crime. Ele chegou a comparecer à delegacia acompanhado de um advogado, onde tentou registrar uma ocorrência contra a própria esposa, apresentando-se como vítima. No entanto, após análise dos fatos, ele recebeu voz de prisão.
Em entrevista exclusiva ao site Enfoque MT, a delegada informou que a prisão em flagrante foi convertida em prisão preventiva.
Atualmente, o suspeito está custodiado na Cadeia Pública de Sinop, conhecida como “Ferrugem”, onde permanece à disposição da Justiça. Segundo a delegada, o inquérito policial ainda está em andamento.
“Estamos trabalhando para concluir o inquérito. Aguardamos laudos periciais e a oitiva de algumas testemunhas, especialmente porque os moradores do prédio foram colocados em risco”, afirmou Layssa Crisóstomo.
A delegada explicou ainda que o prazo para a conclusão do inquérito é de 10 dias, contados a partir da data da prisão, para posterior encaminhamento ao Ministério Público, que irá analisar as circunstâncias do crime.
O caso
O homem de 61 anos é suspeito de ter ateado fogo no próprio apartamento com a intenção de matar a esposa, de 56 anos. O crime ocorreu durante a madrugada, no bairro Village, em Sorriso. Além disso, ele teria tentado impedir que vizinhos deixassem o prédio enquanto o fogo se espalhava.
De acordo com o relato da vítima, o suspeito chegou em casa embriagado e iniciou uma discussão. Ela pediu que ele se retirasse do apartamento, momento em que ele se exaltou, pegou um recipiente com álcool e começou a espalhar o líquido em um dos cômodos, ateando fogo em seguida.
Na tentativa de conter o incêndio, a mulher trancou as portas de outros cômodos, mas o suspeito arrombou os acessos, espalhou mais álcool e ateou fogo novamente, fazendo com que as chamas se propagassem rapidamente.
Ainda segundo a vítima, quando o apartamento já estava em chamas, o homem a manteve presa no local, impedindo que ela saísse, além de agredi-la fisicamente. Após conseguir se desvencilhar, a mulher conseguiu fugir. O suspeito, então, desceu até o estacionamento, entrou em sua caminhonete e fugiu.
Prisão
A Polícia Civil iniciou imediatamente as buscas pelo suspeito. Por volta das 9h20, a equipe do Núcleo de Atendimento à Mulher foi surpreendida com a chegada do próprio investigado à delegacia, acompanhado de um advogado, para registrar um boletim de ocorrência com sua versão dos fatos.
Ele alegou que a esposa o teria dado um medicamento para induzir o sono, acessado seu celular, se irritado com o conteúdo encontrado, o agredido com uma arma branca e arremessado roupas sobre o fogão aceso, o que teria provocado o incêndio.
No entanto, a versão foi descartada pela Polícia Civil.
“Isso não condiz com a verdade. Temos testemunhas, oitivas de moradores do prédio e o depoimento da vítima. Tudo indica que ele incendiou o apartamento de forma intencional, com o objetivo de manter a vítima no local para que fosse atingida pelo fogo, assumindo também o risco de atingir outros apartamentos e causar mais vítimas”, afirmou a delegada.
Diante dos fatos, o suspeito foi autuado pelos crimes de tentativa de feminicídio majorado pelo emprego de fogo contra a companheira e tentativa de homicídio qualificado em relação aos demais moradores do condomínio.